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sexta-feira, 18 de maio de 2012

SPIRIT, DE FRANK MILLER



pub. dia 16/03/2009 por Gladson Fabian - fabianjournalsociety@yahoo.com.br

Contrariando as expectativas sobre o filme do adorado personagem de Will Eisner, o filme Spirit ficou dentro do que podemos esperar de um personagem sem pretensões, criado pelo genial escritor e desenhista norte-americano, criador da moderna forma de contar histórias em quadrinhos.

Para aqueles que esperam uma narrativa gráfica no mesmo alto padrão que Eisner, podem se decepcionar com o roteiro de Frank Miller, afeito a narrativas secas e diretas, bem ao estilo realizado por ele em seus trabalhos de Sin City, a cidade do pecado criada para suas histórias policiais estilo “noir”.

Contando com a boa presença de Samuel L. Jackson no papel de Octopus o arqui-inimigo de Spirit, o filme conta com um roteiro despretensioso, assim como nas histórias curtas contadas pelo falecido gênio dos quadrinhos em mais de 50 anos de Spirit, e nos apresenta um roteiro quase ingênuo, com belas mulheres e cenas de luta um tanto cômicas, retiradas do velho estilo de fazer heróis nos gibis da década de 1940.

O próprio Eisner há muito tempo abandonou sua criação mais famosa, por saber que ela está fadada a temporalidade, e o filme soa mais como uma homenagem ao seu criador, feito pelo homem que mais entende de quadrinhos e narrativa gráfica na atualidade. Miller nos dá uma amostra de seu talento em cenas e planos que carregam nos contrastes e assinam sua forma de fazer cinema, que soa como arte para alguns e repetitiva para outros.

Spirit é uma produção feita na medida para que adultos e crianças possam assistir lado a lado, pois se os fãs do herói e, principalmente do seu criador, Will Eisner, querem saber como o personagem seria em carne-e-ossos, Frank Miller se mostrou fiel ao seu mestre. E para as crianças, acostumadas a violência na TV e nos games, aqui temos uma versão caricata dessa violência urbana, com arquétipos de heróis, mocinhas e vilões sem nuances de cinza, deixando claro que o filme não pretende ser uma obra-prima para críticos e cinéfilos fãs de Godard, mas duas horas de diversão sem compromisso.

É nisso que residia toda a força do trabalho de Eisner: saber separar a arte feita para iluminar mentes daquela feita apenas para divertir. 

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MY BLOODY VALENTINE


Dia dos Namorados Macabro 3D falha no roteiro, mas mata a saudade dos óculos de terceira dimensão

pub. dia 14/03/2009 por Gladson Fabian - fabianjournalsociety@yahoo.com.br

Em um filme que conta com o protagonista da série pop “Supernatural”, Jensen “Dean Winchester” Ackles para catapultar os números de bilheteria, deveríamos esperar um bom filme de terror nas telas do Dia dos Namorados Macabro 3D (My Bloody Valentine 3D), que estréia essa semana em Curitiba. Deveríamos, pois aqueles que buscam um bom roteiro na linha do seriado de TV, podem se decepcionar com o que assistirão.

A idéia básica não foge do modelo básico do cinema de terror para adolescentes: uma série de assassinatos acontece novamente em uma pequena cidade americana no momento em que retorna o principal protagonista da história passada à cidade, o jovem Tom, ex-namorado da heroína do filme Sarah Palmer, a bela atriz Jaime King, que protagoniza a esposa do xerife da cidade. O assassino, que era dado como morto por todos, aparentemente é o responsável por cometer os homicídios e todos acusam Tom de ser responsável pela tragédia ao voltar para sua cidade após dez anos.

Remake do original lançado no início dos anos 80 do século XX, o filme falha na continuidade de seu roteiro, repleto de clichês que testam a paciência de quem assiste a hora e meia de filme, mas que pode deixar felizes jovens e adultos que não tenham acesso a filmes eróticos, pois logo nos 30 primeiros minutos temos uma cena que podemos chamar “terrir-erótico”, com uma perseguição de uma loura nua pelo assassino da picareta…

Se o filme falha em todo o seu roteiro, pelo menos aqueles que entrarem (por opção ou erro) nas salas de cinema que exibem a película, poderão matar saudades dos óculos 3D, sentir emoções e rirem com suas próprias reações ao serem surpreendidos com objetos que saltam da tela e parecem ir em direção ao espectador.

Sem dúvida, com as inovações tecnológicas e com uma “boa mão” em textos e roteiros, teremos bons resultados nessa nova onda de filmes 3D que vem nos próximos anos.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

ALÉM DE ALAN MOORE



Em dia de pré-estréia de Watchmen, febre em todo país, foi possível ver a superação do autor pela obra

pub. dia 05/03/2009 por Gladson Fabian -
fabianjournalsociety@yahoo.com.br


Estréia nessa sexta-feira nos cinemas de todo mundo o filme que chega com a missão de ser o maior lançamento do ano e, com certeza, um dos melhores no gênero aventura-super-heróis da história do cinema. Watchmen traz consigo toda a aura que cerca a obra de Alan Moore, o mago inglês dos comics americanos, e sua máxi-série em doze partes que reescreveu a história das histórias em quadrinhos mundiais nos anos 80 do século XX.

Com uma temática que com certeza conquistará o público jovem e adulto, a história tem uma premissa simples: o que aconteceria se heróis uniformizados (entre esses um “superman”) existissem em nossa realidade. Com os mesmos problemas morais e políticos de nosso cotidiano, esses heróis passam por situações comuns entre nós mortais, desde lidar com a perda da fama até o assédio sexual (e no filme, agressão) de uma colega de equipe. O tema principal, a iminente guerra nuclear entre as duas superpotências mundiais do século XX, Estados Unidos e União Soviética, é a cola que une os pequenos dramas de todos os personagens e que culminará com um desfecho surpreendente.

Para aqueles que esperam total fidelidade a obra de Moore nos quadrinhos, é melhor avisar de antemão: a história em quadrinhos lida por um garoto ao lado da banca de jornais que aparece nos gibis não consta em sua versão cinematográfica, por motivos óbvios. Sem essa sub-história, o roteiro já se encontra acima do normal em termos de complexidade em sua narrativa, com os personagens indo e vindo entre seu passado e seu presente, com os olhos voltados para o futuro, que pode não existir. Zack Snyder, diretor da trama, foi muito convincente em criar um roteiro que poderá agradar os fãs de Alan Moore e aqueles que nada sabem sobre heróis da DC Comics ou sobre a importância dessa trama para todo o universo de heróis dos quadrinhos.

E se você precisa de doses de nicotina de duas em duas horas, é melhor se preparar para quase três horas de filme, que intercala seqüências cadenciadas e repletas de textos com cenas de ação dignas de John Woo ou grandes filmes de terror. Devo dizer que o diretor Snyder espanta pela fidelidade aos planos-sequência da história de Moore e aos closes e perspectivas desenhadas por Dave Gibbons na série original. Até mesmo as cenas de sexo entre dois personagens da história em quadrinhos são reproduzidas aqui da mesma maneira, retratando o respeito que Zack Snyder tem pelo trabalho de Moore.

Após duas horas e meia de filme, o diretor ainda consegue surpreender, inovando no único ponto em que Moore pecou em seu roteiro. Quem gosta de ver belas mulheres de colante enfrentando bandidos, rir ao ver como são ridículas roupas coloridas de heróis em adultos ou aprender como a lei deve tratar os criminosos na visão de Rorschach, vá a uma sala de cinema e assista a maior estréia do ano.

+ WATCHMEN

Silk Spectre, em duas belas versões

                             Eles também são fãs de Watchmen

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sexta-feira, 18 de novembro de 2011

UMA NOVENA EM ALTO MAR

Meses de preparação com entrevistas e cursos resultaram em nove dias de uma experiência em um navio de passageiros na costa brasileira em 2008



pub. dia 28/12/2008 por
Gladson Fabian - fabianjournalsociety@yahoo.com.br

Em meados de julho tomei conhecimento de oportunidades de trabalho em navios na costa brasileira, em anúncios colocados em um jornal de Curitiba. Fui até o local indicado e assisti uma palestra sobre vida a bordo, com uma agência de contratação de tripulantes e a promessa de conhecer vários lugares no mundo e um salário promissor seduziram-me a tentar uma vaga no processo seletivo da empresa.

A referida agência trabalha com três companhias marítimas, todas espanholas, com vários navios fazendo a costa do Brasil. Como eu tenho um bom domínio da língua inglesa, optei por fazer para uma companhia que exigia essa língua para trabalhar para eles.

A empresa paga salários em dólares aqui no Brasil e em euros na Europa, exceção entre as empresas, pois a maioria paga todos os contratos em dólares, aqui ou fora do país.

Após entrevistas com o senhor Nuno, um português diretor da companhia, fiquei sabendo que a posição de printer que eu gostaria de trabalhar precisaria de espanhol fluente, com domínio de escrita para trabalhar. O printer ou publisher é o profissional que edita o jornal de bordo, distribuído diariamente aos passageiros, com toda a programação do navio, coisa fácil mas depois percebi que cargos de maior confiança não são dados a iniciantes.

Fui então selecionado em outra posição em que tenho experiência, security guard, pois trabalhei durante 15 meses no Banco Central em Curitiba. Acontece que todos os crews (tripulantes) que atuam nessa área são de países asiáticos, exceto é claro, o chief (chefe), um espanhol chamado José Maria. E os asiáticos demoram a deixar seus postos e abrir vagas para sul-americanos.

Após a aprovação começa o calvário dos documentos. Um série de papéis são exigidos para o embarque (veja box), exames médicos, passaporte e um curso especialista ministrado por capitães-de-fragata, realizado fora de Curitiba.

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Paraíba do sul é a próxima parada

Dia 19 de outubro de 2008, domingo. Saímos em dois ônibus de Curitiba, com aspirantes a crews de várias partes do sul do país. Depois de 15 horas de ônibus, chegamos a cidade de Paraíba do Sul, Rio de Janeiro, situada no interior do estado carioca. Interior? Sim, o curso de salvamento no mar, ironicamente, é realizado no interior do estado, com autorização da capitania dos portos do Rio de Janeiro. Os proprietários da empresa que ministra o curso são dois capitães da marinha, pessoas de fácil convivência e muito conhecimento. Passamos os dois dias seguintes com palestras sobre nomenclaturas usadas a bordo de navios, conhecimentos de primeiros-socorros e outros assuntos necessários para quem quer subir em um navio.

No terceiro dia fomos a um clube da cidade, onde teríamos a parte prática do que ouvimos, com treinamentos com bombeiros e uma enfermeira e práticas de uso do salva-vidas e bote, em uma piscina olímpica.

No treino com os bombeiros aprendemos como utilizar os extintores, para que serve cada um deles, com as enfermeiras tivemos lições de primeiros-socorros, salvamento de pessoas e atendimentos iniciais até a chegada de um profissional da área de saúde. E com os capitães tivemos que pular de uma prancha a três metros da piscina, com colete salva-vidas, emergir, nadar até um bote no meio da piscina, subir nele e saltar do outro lado e nada até a margem da piscina do lado oposto da prancha. Posso dizer que todos os que fizeram o teste saltaram, mesmo aqueles que têm medo de altura ou de saltar em lugares profundos, como eu.

Fim do curso, comemoração, festa de despedida, assinatura no certificado e muita alegria e cansaço no retorno a Curitiba, com mais 15 horas de ônibus.

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A espera e o embarque

Do dia do retorno a Curitiba até receber a noticia do embarque foram 45 dias de espera angustiante. Dia oito de dezembro soube a noticia pela minha agente que eles precisavam de assistants waiter (assistentes de garçom) para o maior navio ancorado na costa brasileira, um navio espanhol com administração portuguesa.

Animado com a possibilidade de embarque imediato, mesmo fora de minha posição, aceitei o cargo sem nenhuma experiência da profissão. Primeiro erro.

Após ir até a agência buscar minha carta de embarque, arrumei as malas e na quarta-feira à noite fui com minha namorada até a rodoviária para a dolorosa despedida. Choro e tristeza, mas empolgação pela possibilidade de novas experiências e um bom dinheiro, seis horas de ônibus até Santos, e eu estava pronto para o embarque. Ledo engano. Chegamos lá por volta das cinco e meia da manhã, eu e mais sete marinheiros de primeira viagem, prontos para o embarque. Aqui começava nossa espera. Após pegar um táxi até o terminal de embarque de passageiros no porto de Santos, ficamos esperando oito horas para embarcar no navio, devido a desorganização que é o embarque dos tripulantes.

O terminal abriu suas portas para o embarque por volta das oito e meia da manhã, mas tivemos de aguardar por horas em pé para passar pelos detectores de metal, pela conferência dos documentos na polícia federal até chegar a porta do navio. Um fato estranho ocorre minutos antes de entrarmos no navio: três jovens passam por nós, com malas e expressões de felicidade, gritando como loucos que finalmente estavam livres do navio. Diziam que aquilo não era vida e que finalmente estavam fora.. Um aviso?

Bem, deixamos a preocupação de lado e entramos no navio da companhia espanhola, onde tivemos que passar por um novo processo de preenchimento de formulários. Mais papéis, assinaturas isentando a empresa de qualquer problema, muito estranho.

Nossos exames médicos, que tanto exigiram de nós, se eu quisesse nem teria apresentado pois ninguém nos levou até o médico quando entramos no barco. Fomos levados até o roupeiro do navio, chamado Francis, um asiático que falava um inglês arrastado e de pouca compreensão. Primeiro problema: não havia roupas de trabalho para todos nós. Consegui completar meu uniforme cinco dias depois de embarcar, outra guria que chegou de Porto Alegre conseguiu uma calça com número duas vezes maior, outro ainda teve problemas com o blazer, assim como eu.

Mesmo assim fomos trabalhar. Acontece que antes disso, precisávamos de cabines, mas o navio havia chegado de Recife com problemas. Várias cabines estavam alagadas, devido a problemas no sistema hidráulico que se encarrega de esgotar os vasos sanitários.

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A novela das cabines começa


Cinco de nós encontraram problemas com cabines e fomos temporariamente colocados em cabines de passageiros. Apesar do problema, ficamos felizes em ter um local confortável para descansar, então pegamos nossas malas e fomos direto para essas cabines.

Existe uma proibição aos tripulantes em circular pelas áreas destinadas aos passageiros, mas no nosso caso isso não funcionaria, pois precisávamos passar por elas para chegar as nossas cabines, que ficavam no interior do navio. Ainda deslumbrados com os 12 decks (assim são chamados os andares dentro da embarcação) do navio, fomos tomar banho e descansar, após um rápido passeio pelas dependências para situarmo-nos de onde estávamos.

Muitas leis dentro do navio não são tão estritas, e entre elas está essa de se mover por áreas de acesso restrito, pois todos os dias haviam comportas fechadas, o que nos obrigava a atravessar áreas de passageiros para chegar aos locais de trabalho.


No dia seguinte, após perceber que não arrumariam logo uma cabine para mim, e que se eu deixasse nas mãos deles acabaria em um quarto com filipinos ou alguém com cultura muito diversa da nossa, descobri a primeira malandragem que é necessário para sobreviver dentro de um local assim. Fui até a crew purser, uma espécie de secretária que é responsável pelos documentos do pessoal, uma asiática arrogante mas de pouca habilidade em perceber quando estão agilizando as coisas por conta própria, passei a ela os documentos necessários e dei o número da cabine onde estava um recém chegado que tenho a felicidade de chamar amigo, chamado Davi. Tinham dado a ele uma cabine para dois, mas ele estava sozinho e, graças a já referida desorganização, nem eles sabiam quantos haviam em cada cabine. Com o documento e o número da cabine, consegui meu crew pass, um cartão de acesso a cabine e acesso para fora do navio quando estivesse de folga.

Resolvido o problema da cabine, já descansado começa o trabalho. Primeiro dia, dezesseis horas de trabalho, com algumas horas de intervalo, mas como tínhamos de atravessar o navio de ponta a ponta (minha cabine ficava no deck 01, o trabalho no deck 12 ou no deck 04), gastávamos pelo menos dez minutos para atravessar o navio, às vezes mais do que isso pela demora nos elevadores. Começava a perceber algumas coisas.

Devo registrar aqui que, de minha parte não houve treinamentos para a função, nem perguntas sobre minha experiência na função, mas todas as noites tivemos de ouvir chamadas dos portugueses a respeito das falhas nos trabalhos. Felizmente, tive a oportunidade de trabalhar com um grande waiter, chamado Vitor Córdoba, colombiano com vários contratos de trabalho, que ensinou tudo com muita paciência e esmero.

Em uma ocasião, vi um amigo ser humilhado pelo português responsável pelos contratos por não saber todos os pratos que havia na cozinha. Acontece que o rapaz havia entrado comigo no navio, não deixaram ele ter acesso aos pratos e queriam que ele soubesse todos os pratos que havia no cardápio!

Aqui vale uma ressalva: Mister Sérgio, responsável pelo setor foi uma exceção entre os nossos chefes. Educado, competente e comunicativo, sempre foi acessível na medida do possível. Outros nem tanto.
Mas voltemos as cabines. O esperado é que elas sejam pouco espaçosas e isso se confirmou. Uma TV antiga com quatro canais de filmes sem legenda nos levava um pouco de distração, camas razoáveis (sugiro que se for embarcar, que leve travesseiros) e toalhas e roupas de cama são fornecidas aos crews, mas para lavar o uniforme e essas roupas do navio cada setor tem dias e horários específicos na lavanderia. A vantagem é que esse material é lavado por eles e o crew precisa se preocupar apenas com as roupas pessoais. Para essas, há duas alternativas: ou lava-se nas máquinas disponíveis na lavanderia (nem cuecas secam no banheiro da cabine!) ou se paga para um filipino fazer isso. O preço varia de acordo com a cara do cliente, entre 20 e 40 dólares. Pechinche sempre.

O banheiro das cabines é uma história à parte. Acontece que o navio tem 20 anos de uso e foi restaurado para uso esse ano, e com isso vieram problemas de infra-estrutura. Desde o primeiro dia que entrei na minha cabine, até o dia de minha saída, o vaso nunca funcionou. Pior, a água subiu e transbordou no banheiro, deixando um cheiro terrível. Foram cinco pedidos de manutenção, no último ouvimos de um dos portugueses que não poderia fazer nada e que nós não éramos prioridade. Acontece que a merda já estava saindo pelos lados.

Durante os dois dias que viajamos de Santos a Salvador, trabalhamos feitos loucos, pois o navio ficou todo esse tempo em alto mar. E duas centenas de banheiros de passageiros mais outros não sei quantos de tripulantes estavam com o mesmo problema do nosso banheiro. Vasos transbordaram nos carpetes, ralos de chuveiro entupiram e muitas reclamações foram feitas. Uma promessa de que o problema seria sanado e o navio de luxo sairia de Salvador em perfeitas condições foi dada aos passageiros, que desceram a passeio em Salvador pela manhã e voltaram a tarde com os mesmos problemas em suas cabines. Muitos trocaram de cabines, mas quase duzentos passageiros e alguns crews desceram em Salvador, revoltados com as condições da luxuosa embarcação. A vigilância sanitária entrou no navio, a polícia federal também, mas assim mesmo o navio partiu com os problemas que chegou. Outro fato estranho.


Durante a viagem, passageiros revoltados com as condições do navio buscaram agredir o capitão no saguão do deck principal, sendo impedidos pelos seguranças. A viagem segue tensa..

Mais explicações, muitos boatos e apenas uma certeza: eles ainda não sabiam o que fazer com o sistema hidráulico das cabines. Ao passar pelos corredores inferiores, sente-se o cheiro de água podre, mas ninguém diz nada. Meus pés, que como de todos os assistant e waiters tem bolhas, tem que pisar em chão sujo no banheiro para tomar os banhos necessários.

Ao chegar na bela cidade de Ilhéus, tenho duas horas de folga e decido tentar chegar a praia. Não deu, pouco tempo e uma certa distância fazem com que eu e minha colega Renata desistamos da ida a praia. Muito calor e desânimo se abatem agora.


Outra noite no restaurante, após passar o dia recolhendo pratos sujos, copos, talheres e servindo bebidas no deck 12, onde fica o buffet, e o trabalho noturno se estende das 18 horas até às duas da manhã. Os portugueses todas as noites nos fazem parar o trabalho, para dar suas palestras, durante 15 à 20 minutos antes da abertura do restaurante, onde pouco se aproveita. Esse pouco pode ser dado a chefe de cozinha, uma brasileira chamada Teresa, muito competente e com grande conhecimento na área.

A melhor parte da noite sempre vem após o fechamento do restaurante. Depois de muito trabalho, todos se dirigem a cozinha, onde jantamos e sentamos para conversar no crew bar, área de lazer comum a todos os tripulantes. Lambemos nossas feridas, tomamos uma cerveja e por volta das três horas nos recolhemos as nossas cabines.

Na média que fiz das horas dormidas em nove dias dentro da embarcação, pude ver que meu tempo de sono ininterrupto seria de cinco horas por noite, pouco para recuperar os pés e a mente. O banheiro sujo, as dificuldades em arrumar de forma organizada os uniformes, os horários de trabalho, a falta de educação de alguns superiores, a rota do navio que nos dava mais de três dias de navegação em alto mar sem paradas (dois dias de Santos a Salvador, mais um dia de Ilhéus a ilha privativa), a mudança de fuso horário (o nordeste não tem horário de verão) semanalmente e a consciência que o valor financeiro não era tão promissor fizeram eu decidir pela saída da embarcação. Entre os brasileiros, muitos estavam decididos a sair, ou dentro de um mês, ou no final da temporada brasileira, e poucos queriam trabalhar na Europa. Não sei quantos ficarão, mas comigo outros cincos decidiriam sair em Santos.


Para quem quer trabalhar como waiter ou assistant waiter (garçom ou assistente), vale ressaltar que o valor oferecido como salário é pago somente se as “tips” (gorjetas) não ultrapassam o valor oferecido. Em oito dias de trabalho (o primeiro dia não contou) recebi o valor de 420 dólares, mas descontaram na minha saída o uniforme que devolvi integralmente, mais 300 dólares que, segundo a purser, eram despesas de reembolso para trazer outra pessoa no meu lugar. Mas espere um pouco, eu não dei despesas nenhuma para eles, nem de passagens aéreas nem rodoviárias! Como disse um amigo castelhano, todo navio é negreiro. Restaram 74 dólares de lucro e a alforria ao final da viagem. Assim como vimos dez dias antes os rapazes saindo alegres de dentro do terminal de embarque, agora era nossa vez.

Dez horas de espera para pegar o ônibus, algumas cervejas em um shopping de Santos e mais três horas de conversa com um nova-iorquino e sua esposa na rodoviária de Santos, onde recebi o primeiro elogio desde que comecei essa empreitada. Keith, o nova-iorquino de 52 anos, elogiou meu “accent” (sotaque) e disse que meu inglês estava muito bom. Senti que podia ir em frente e que 2009 seria um ano melhor. E, apesar de todos os problemas, quero no fundo do coração que todos os problemas que passei se resolvam (principalmente os banheiros!), pois deixei bons amigos dentro daquela embarcação.

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DOCUMENTAÇÃO, BUROCRACIA E DICAS ÚTEIS

Para aqueles que desejam fazer da vida a bordo uma carreira, um processo lento e que requer muita paciência se faz necessário. Primeiro, não é necessário experiência para os cargos inferiores, mas se souber fazer o mínimo ajuda.  Registro de identidade, cpf e currículo com a função pretendida (em inglês) são os documentos iniciais. A carteira de vacinação internacional com carimbo de vacinado contra febre amarela pode ser conseguida em aeroportos e a vacina tomada em postos de saúde.

O passaporte deve estar em dia e caso não tenha é necessário ir a Policia Federal fazer. Não leve foto a própria polícia faz ela na hora e depois de duas semanas de entrar com o pedido o documento estará pronto.
Também é preciso fazer o curso STCW-95, exigido para todos os que trabalham em embarcações em alto-mar. O curso é organizado pelas agências de recrutamento e o preço varia de R$ 550,00 à R$ 700,00, mais despesas de viagens. Como moro em Curitiba, gastei em torno de R$ 1600,00 com todas as despesas, inclusive as passagens de ida e volta a Santos, que não são reembolsadas pelas companhias. Também é necessário um certificado de antecedentes negativos da Polícia Federal, que pode ser impresso diretamente pelo site da PF.

Ao levar suas malas para o navio, deixe de lado todo o excedente. Se preocupe menos com calças e blusas e calções e mais com um sapato bem confortável, da cor preta, muitas meias pretas (muitas mesmo!), duas ou três dezenas de roupas de baixo, de sete a 15 camisetas brancas para usar por baixo do uniforme, pois somos obrigados a usar uma espécie de “espartilho”, nome que dávamos a um protetor de coluna que coça muito se usado direto sobre a pele. Devo ressaltar aqui que ele funciona, não tive dores nas costas em nenhum dia de trabalho, mesmo com todo o peso que carregávamos, durante toda a noite.

Leve chinelos para uso na cabine, mas também um tênis confortável, pois não é permitido andar de sandálias pelo navio nas horas de folga. Tênis branco, apenas para aqueles que forem trabalhar como bartenders ou staff (terceirizados), pois os cleaners (domésticos que limpam as cabines) e o pessoal do restaurante usam sapatos pretos.

Cortem os cabelos antes de embarcar e as mulheres levem prendedores, pois é proibido trabalhar de cabelos soltos e os preços de corte de cabelos dentro do navio são em dólares.

Quando embarcar receberá um “crew pass”, para acesso a sua cabine, com número de tripulante escrito nele e foto. Nunca perca ele, pois ele também dá acesso a gastos no crew bar, onde o atendente nunca olha a cara do cliente. Outro documento que receberá é o cartão de controle para treinamentos de salvamento no mar. È preciso decorar esse número, pois há treinos constantes e quando seu número é anunciado pelas caixas de som você deverá ir até o local indicado no cartão. Mas isso tudo será explicado pelo chefe da segurança a bordo, em uma palestra explicativa..

Pra aqueles que não se importam em não ganhar gorjetas mas um salário fixo, sugiro que busquem vagas como bartenders ou staff, pois tem horários mais fixos. Vida dura, mas não carregam tanto peso como cleaners, assistants e waiters. Segundo Reinaldo e Flávia, um casal que encontrei na rodoviária de Santos, vindos de outra embarcação e com quatro contratos de experiência, os bartenders de certas companhias recebem gorjetas por bebidas vendidas, o que não era o caso da embarcação que estava, onde os pacotes de viagens incluíam tudo aos passageiros. A dica deles é para procurar navios de companhias norte-americanas, que fazem o Caribe e Europa, pois são os melhores de trabalhar.

As mulheres devem ter outro cuidado. Muita paciência e jogo de cintura, pois os homens no navio estão em sua maioria há um bom tempo sem ver uma mulher, e vi ou ouvi das garotas as reclamações que alguns superiores ou colegas de outras nacionalidades eram muito atrevidos em suas cantadas.

Dependendo da função e escala de serviço, o tripulante tem de três a cinco horas no período da tarde para conhecer os portos onde o navio aporta. Recomenda-se sempre que o “crew” não saia sozinho, sempre tenha alguém junto, para eventuais emergências.

A comida, diferente do que disseram, é muito boa no geral. Salvo alguns pratos típicos da Ásia, com tempero forte e que causam desarranjo intestinal nos brasileiros, a maioria dos pratos são muito bons.
Assim como a maioria, não tive problemas de enjôos ou vômitos, sofri apenas com tonturas nos três primeiros dias. Não tome nada por conta própria, há médicos a bordo que atendem muito bem.

Leve protetores solares e labiais. Não beba muita água, substitua por frutas ou suco de limão, que é fornecido o dia todo em máquinas para os tripulantes.

Última dica
: os nossos “hermanos” são muito unidos e se precisarem sacanear um brasileiro para salvar a pele o farão. Vi durante toda a semana waiters e assistants de outras nacionalidades “emprestando” talheres, copos, paneiras e saleiros da mesa alheia para preencher o chamado “set up” de suas mesas para que a pessoa responsável pelo fechamento do restaurante desse um “ok” com tudo certo na sua área de trabalho.

Os superiores fecham os olhos para isso e deixam o caminho aberto para a competição desleal. Eu tive a felicidade de trabalhar com um cara muito organizado e que, por ser colombiano e com longa experiência dentro de navios não precisava se preocupar com roubos de material de suas mesas, mas nem todos podem ser dar a esse luxo. E busque sempre uma boa convivência com os membros da cozinha, pois os asiáticos trabalham muito e, se você for educado com eles, terá sempre bons colegas de viagem nesses estranhos de cultura tão diferente, mas de fácil convivência.

“Especial Navio” pub. dia 28/12/2008 por Gladson Fabian Marques - fabianjournalsociety@yahoo.com.br

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segunda-feira, 24 de outubro de 2011

SETE FACADAS E UM BALAÇO



Após o falecimento do organismo, bactérias, animais e substâncias produzidas pelo organismo do defunto iniciam a decomposição dos órgãos. O cadáver incha, a pele e os órgãos se desfazem e o cérebro se liquefaz. Quando alguém morre, a oxigenação pára de acontecer e o organismo se desequilibra. Minerais como o sódio e o potássio, importantes para o metabolismo, deixam de ser produzidos. Com isso, as células se desestabilizam e passam a digerir o próprio corpo. Bactérias da flora intestinal e da mucosa respiratória, que já vivem no organismo, devoram os tecidos, deixando o cadáver irreconhecível. A pele perde água e resseca e com o avanço das bactérias, ela fica verde e se dilata. Em seguida aparecem as bolhas, que se rompem, soltando líquidos e, por fim, se desmancha.

O corpo é consumido, em média em um a dois anos, sobrando apenas os ossos e dentes. Eles são formados basicamente por minerais, enquanto as bactérias decompositoras se interessam apenas por matéria orgânica. Se o defunto for enterrado em condições normais, longe da umidade e do calor excessivo, esses órgãos podem durar milhares de anos. Nem mesmo as roupas do funeral, que também são muito apreciadas pelas bactérias permanecem. O algodão e outras fibras naturais vão embora mais rápido, em três ou quatro anos. Já tecidos sintéticos, como náilon e poliéster e outros derivados do plástico, podem durar décadas.

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Navegando por aí

Todas as religiões buscam explicar o que ocorre após a interrupção de nossas funções vitais. Céu, inferno, paraíso com 72 virgens, reencarnações em outros corpos humanos ou animais; retorno ao cosmo, diversas explicações que se amparam em uma crença não-lógica, que não podemos racionalizar, pois até onde sabemos cientificamente, nunca alguém retornou da morte para contar como é do “outro lado”.

Mas existe vida após a morte?

Não podemos responder isso, mas podemos afirmar que existe vida online após a morte.


Já se perguntaram o que ocorre com os arquivos virtuais depois que as pessoas morrem? A maioria deles, após um tempo de uso é desativado pelos provedores. Mas se você digitar o nome de alguém (e quanto mais famoso ou interativo for, mais arquivos) em um site de busca, lá estão dados como nome completo, concursos que fez, vestibulares que passou, blogs ou partes de texto do indivíduo copiados para outros canais de comunicação.

Nos anos 90, na extinta revista General, o dublê de cantor e produtor musical Carlos Miranda, hoje jurado de um programa de TV, lançou uma idéia bisonhamente intitulada “Igreja Triangular do Resíduo Digital”. Algo como “se torne imortal por aquilo que deixará na net”.



A idéia parece estranha, mas no final dessa década, os japoneses lançaram um anime (desenho animado oriental) chamado Lain, onde uma adolescente morta misteriosamente, começa a enviar e-mails para suas amigas de escola, descrevendo sua vida após a morte, na wired, como uma forma de se tornar eterna. Assombroso e polêmico, o anime que trata a cultura do suicídio no Japão fez grande sucesso em todo o mundo.

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Brasileiros pós mortem



Aqui no Ocidente, em especial no Brasil, temos exemplos dessas tentativas de eternizar pessoas e, pasmem, animais de estimação por meio de lembranças na net.

ORKUT: A VIDA APÓS A MORTE É AQUI!

Apesar dos cuidados que têm, as pessoas deixam rastros virtuais dos mais diversos, deixando a possibilidade para fraudes. Ao buscar entrevistar usuários das comunidades do Orkut, em especial a mais famosa, chamada “PGM” (profiles de gente morta), recebi recados nada educados, sobre minha “invasão” em suas vidas virtuais de comentários sobre quem morreu e do quê.


Após algumas tentativas de estabelecer contato, com o auxílio do moderador da comunidade, consegui conversar com uma garota, chamada Karol R. Fäshbuer, 21 anos, uma sul-matogrossense que atualmente reside em São Paulo capital e trabalha com serviços de internet.

Ela conta que já postou em profiles de gente morta, pois achou pela net um amigo falecido, dos tempos de escola, chamado Diego. Também encontrou pela “PGM” um ex-professor de cursinho, que foi assassinado em sua cidade natal, Dourados. “No caso do meu professor, ele foi assassinado (após ser assaltado) e eu não estava na cidade então não soube na hora. Alguns dias depois vi na PGM - Prof. Rocha… lembrei dele na mesma hora e tive a noticia”, conta Karol.

Usuária há quase quatro anos da comunidade, ela diz que a sensação de ver alguém conhecido nos profiles de gente morta é estranha, mas que não há distanciamento. “Acredito que seja apenas uma evolução… com a internet (e principalmente o Orkut) as pessoas não ligam mais para dar os parabéns, não fazem mais visitas para saber como está a família, um simples “scrap” resolve tudo. A mesma coisa é a morte, antes ficávamos sabendo através de notas de falecimento do jornal, alguém ligava pra te avisar…. hoje em dia basta entrar no Orkut para saber quem faleceu. A dor da perda acaba sendo a mesma”, relata Karol.

Na “PGM”, existe o que eles chamam de “detetives”, bisbilhoteiros profissionais que tem como função descobrir por meio da net como as pessoas morreram quando não há detalhes sobre o ocorrido. Para essas pessoas que participam da comunidade, ver parentes e amigos deixando postagens de um ano ou de sete dias de falecimento é normal e corriqueiro. “A internet veio mesmo para facilitar nossas vidas, quantos de nós tem tempo para ficar 1 hora na igreja em uma missa? E quanto tempo perdemos deixando uma mensagem no Orkut do falecido, onde provavelmente a família irá ler e receber as condolências? 5 minutos?”, diz Karol.

Ela afirma que, apesar da velocidade e virtualidade do contato pela net, acredita em vida após a morte, com uma visão espiritualista e um julgamento pelos nossos atos em outro plano espiritual.
Para Karol, o tabu de discutir sobre a morte diminui com a internet, e se no início seus amigos achavam estranho olhar obituários online, hoje a maioria participa das comunidades de gente morta.

Marcelo Fritz, que trabalha com manutenção de equipamentos de informática, em Ponta Grossa, Paraná, utiliza dos chamados fakes (profiles falsos), onde a foto, informações e, às vezes, o gênero do indivíduo não são o que parecem, para participar de uma comunidade de gente morta.

Segundo Marcelo, o motivo para acompanhar essas comunidades é simples. “Bem, a morte é o ponto, de uma forma ou outra é uma coisa que chama a atenção. Muitos ali acompanham em tempo real algumas tragédias, um noticiário dinâmico dá pra se dizer”, diz Marcelo.Para ele “o trágico, a tribuna, sempre atraiu olhares, o fato de você ter um contato direto com essas pessoas também curiosas faz com que aguce mais a curiosidade, por mais que não conheça ninguém ali tem a opção de questionar e receber respostas quase em tempo real”, ele diz. Apenas o modo de se abordar o tema mudou, se tornou mais dinâmica.

A geração dos seus pais, segundo ele, tem outro ponto de vista que não pode ser conciliado com essa abordagem. Na sua opinião nossa geração está mais “amortecida” com os fatos trágicos, como se tudo fosse descartável, “tudo chega muito gratuitamente, essas informações…acredito que para eles é uma perda de tempo , que é mesmo, mas pela facilidade da informação mastigada acabamos acessando-as”, comenta Marcelo.

Para Marcelo, as informações que não são acessadas após certo tempo deveriam ser deletadas, pois não há motivo para estarem ali. Apesar de não ter interesse em deixar um profile “cristalizado” na net, Marcelo conta que o que atrai os olhares são os profiles de gente que morre jovem. Mesmo assim, ele acredita que essa curiosidade mórbida irá passar na medida que envelhecer.

Especial “Vida Após a Morte” pub. dia 04/09/2008 por Gladson Fabian - fabianjournalsociety@yahoo.com.br