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quinta-feira, 17 de maio de 2012

UM FILME SENSORIAL

“EVA”, a mais nova produção do cinema independente de Curitiba tem a fragilidade como ponto principal e só foi possível pela interação da equipe com o projeto


pub. dia 08/03/2009 por Vanda Moraes - vandymoraes@yahoo.com.br


“Uma câmera na mão e uma idéia na cabeça”. Todo cineasta brasileiro ou apreciador desta arte já ouviu este, que é o conceito do cinema independente neste país. O curioso é perceber que, em Curitiba, este conceito não mudou.


Exemplo claro disso é o filme “EVA”, cujas filmagens foram finalizadas neste sábado, 07 de março. O filme, definido pelo diretor Arnaldo Belotto como simplesmente “sensorial” teve dois meses de gravações, sendo que foi filmado apenas nos finais de semana, já que todos da equipe têm trabalhos paralelos. “Nunca fiz cinema com dinheiro, sempre vivi este lado independente e autoral”, contou Belotto. “O termo independente não cabe para o “EVA”, porque é um filme dependente da equipe e das empresas que nos ajudaram com comida e equipamento. Enfim, cada pessoa doou um pouco do seu dinheiro, da sua atenção e muito do seu tempo”, avaliou.

Mas, a falta de dinheiro não representa um problema para nenhuma das 27 pessoas da equipe. Ao contrário, o filme só é possível pela interação que se percebe com a câmera ligada ou não. A maior parte das pessoas que tornaram o projeto de Belotto possível nunca tinha trabalhado com cinema. Entre eles o ator principal Bruno Girello que, além do filme, faz teatro e é cozinheiro. Como ele concilia todas as atividades? “É bem tranqüilo, me organizo bem com todas as funções, na essência as três são bem parecidas. Me canso, mas gosto.”, sintetizou Girello.

“EVA” é o primeiro longa-metragem do diretor. Segundo ele, este novo momento está sendo bastante tranqüilo, apesar de a escolha da equipe ter sido um tanto difícil, já que na produção de seus curtas, Belotto trabalha com poucas pessoas ou sozinho. “O roteiro passou em diversas mãos, tentei muitas pessoas antes de chegar a esta equipe final, mas no fim acabou em mãos certas”.

A equipe final é formada por sócios do diretor na Produtora Destilaria do Audiovisual, nas funções de direção de fotografia, assistente de fotografia e edição. Os outros integrantes são pessoas que Belotto conheceu através da internet e que tinham vontade de trabalhar em um filme. Já os atores foram selecionados de acordo com suas semelhanças com os personagens. No final todos acabaram somando para a construção do projeto. “Quando não existe incentivo financeiro devemos ser criativos, todos gostam de criar”, afirmou Belotto.

Para a atriz Carolina Fauquemont, é importante que diretores locais estejam colocando suas idéias em prática. “Fiquei feliz de saber que ele (Belotto) faria um longa independente. Eu admiro muito as pessoas que desenvolvem suas idéias, dão vida aos seus projetos”, afirmou. A atriz, que já realizou alguns trabalhos em cinema considera a participação em “EVA” como especial pelo fato de já conhecer o diretor e estar familiarizada como formato do projeto. “Eu sempre participei de curtas metragens independentes em Curitiba. Poucas vezes consegui dizer não. Essa arte me pega!”, disse.


Com as gravações encerradas, Belotto parte para a etapa de edição do filme. O término das filmagens desperta emoções antagônicas. “Totalmente deprimido com o término das gravações! Afinal, tudo isso deixará saudades. Mas, feliz com o resultado da captação e super ansioso pelo processo da edição, design de som e finalização”, afirmou o diretor.

A nós, resta esperar o dia 26 de julho, quando, de acordo com a equipe, o filme estará finalizado.


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A idéia como resultado de uma relação virtual



Uma parte da equipe que realizou o filme “EVA” conhecia o diretor apenas pela internet. O roteiro foi enviado ao ator principal pelo e-mail e a assessoria de imprensa divulga a produção através de contatos pela rede.

A equipe e o elenco foram escolhidos e, em 14 dias de gravações espalhados em finais de semana de janeiro e fevereiro de 2009, as filmagens acabaram. Agora, o diretor, o editor Lucas Negrão e a equipe de som entram em estúdio para a finalização. Esta é a etapa mais difícil segundo os responsáveis pelo som direto e pelo design de som Bem-Hur Lima Pinto e Rennan Deodato. “A proposta é fazer algo inovador e até arriscado”, afirmou Deodato.

A trilha sonora será toda original, composta pelo Duo Felixbravo, que também faz uma participação no filme. O diretor pretende criar algo inédito através do vazio e da fragilidade do personagem. Para isso o filme terá alguns momentos de silêncio absoluto e outros em que apenas o som ambiente será ouvido, com poucos diálogos.


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Não é sobre Albert, mas sobre sua fragilidade



Para o ator Bruno Girello, Albert é “simples, complexo, quieto, inquieto, enfim, contraditório, mas autêntico. Introspectivo e frágil”. O filme não é sobre Albert, Eva ou a relação dos dois, mas todos estes elementos são utilizados para falar da fragilidade do fotógrafo. Fragilidade esta que se acentua a medida que não consegue (ou consegue) se livrar de Eva. “Eva é a representação do amor perdido, do peso da ausência, da fragilidade, é a companheira. EVA é o significado de mulher”, definiu Belotto.

Em suma, EVA é um filme que explora a sensação que o diretor teve a partir de uma pessoa real, mas que não representa a biografia dela. O personagem Albert é um fotógrafo-retratista, cujo trabalho tem a cidade como pano de fundo. A visão que o expectador tem do personagem é construída a partir de seus retratos.

Em algum momento da vida, Albert interagiu com EVA, agora um corpo inerte, uma lembrança, um assunto não resolvido que o acompanha. A relação do personagem com esta “entidade” desencadeia uma jornada existencial que tem como finalidade exorcizar um passado e seus possíveis fantasmas.

Carolina Fauquemont, que interpreta o personagem Eva vai mais além. Para ela Eva é a ausência de uma personagem. E é também mais do que isso. Ela pode ter sido qualquer mulher, agora ela é apenas um corpo. Ela não pensa mais, não sente, está entregue à gravidade. “Eva sou eu à medida que fui eu quem a interpretou. Eva é o personagem de Albert, já que ele é a única testemunha pra nós de quem ela foi. Eva é a mulher que poderia gerar, que poderia viver, mas que adormece”, disse. “Eva é tudo aquilo que o expectador conseguir ver”, finalizou.


Apesar de interpretar um personagem sem vida, Carolina disse que aprendeu muito. “A vida no meu corpo é forte. Eva me fez reconhecer essa vida. A vida que existe em mim”, afirmou.



A produção, segundo Belotto faz parte de uma trilogia. O segundo filme será sobre Eva quando viva e o terceiro será a continuação deste primeiro, mostrando a vida ou a situação em que Albert se encontra. “EVA” foi feito de forma independente sem ajuda de leis de incentivo, mas Belotto pretende conseguir subsídios para os próximos filmes da trilogia. Para isso, o foco da distribuição será exclusivamente em festivais. “Pretendo ganhar alguma coisa com ele”, disse Belotto. Quando o assunto é como o publico receberá a produção, Belotto é bastante direto. “Não faço idéia! EVA é um filme de sensações, cada pessoa pode perceber de uma maneira diferente”, declarou.

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O diretor


Arnaldo Belotto
fez seus estudos entre 2004 - 2006 na Academia Internacional de Cinema, com especialização em Direção, roteiro e edição onde realizou vários trabalhos de destaque. Em 2006, atuou como presidente da Associação Kino-GlaZ - Sesc da Esquina - onde foi curador e realizava estudos sobre o cinema. Hoje, atua como sócio fundador da produtora Destilaria do audiovisual (PR).


TRABALHOS

2009
Happy Isles. Documentário (HDV) Direção, Fotografia e Edição.

2008
Tempo de cinzas. Documentário (HDV). Direção, Roteiro e Fotografia.

2007
Luce delle tenebre. Ficção (HDV). Direção, roteiro e edição.
Casa de Noé. Documentário (DV). Direção, Fotografia e Edicão.
O Batismo. Documentário (DV). Concepção.

2006
Sensorial. Documentário (DV). Direção, Fotografia e Edição.
Espírito da Contradição. Documentário (DV). Direção e Edição. (co-direção com Fernando Severo)

2005
O Cobrador. (DV). Direção.
Contralzerros. (DV). Direção.
Amor e Delirio. (DV). Direção e Roteiro.

OUTROS TRABALHOS

Videoclipes
Lenzi Brothers (SC) – Allana – Direção - 2min – 2008 – exibido na MTV
Charme Chulo (PR) – Mazzaropi Incriminado – Direção – 2008 – exib. na MTV



SickSIckSinners (PR) – Beer and flach meet – Direção - 2008 – exibido na MTV
Faichecleres (SP) – Seu Cafajeste – Direção - 2007 – exibido na MTV



Kings Of Convenience (EUA) – The build up – Direção – 2007
Faichecleres (SP) – Alice D – Direção - 2006 – exibido na MTV
Anacrônica (PR) – Vestígios – Direção – 2006
Anacrônica (PR) – Deus e os Loucos - Direção - 2006

especial  filme Eva, por Vanda Moraes

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terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

CRÍTICAS E APOSTAS PARA O OSCAR

O cineasta Rodrigo Grota considera justo que o filme Última parada 174, de Bruno Barreto, não mais dispute o prêmio. Para a pesquisadora de cinema Celina Alvetti, o filme Estômago, de Marcos Jorge, teria representado melhor o país
pub. dia 11/02/2009 por Vanda Moraes - vandymoraes@yahoo.com.br

Faltam duas semanas para o 81º Oscar. A maior premiação do cinema mundial acontece no dia 22 de fevereiro, sendo que os indicados já foram divulgados. O fato de o representante brasileiro, Última parada 174, de Bruno Barreto, não ter se classificado para a disputa foi aplaudido pelo jornalista, crítico de cinema e cineasta paranaense Rodrigo Grota. “Que o Bruno Barreto fique fora das indicações é algo justo para o bom cinema”, afirmou.

De acordo com ele, muitos filmes brasileiros com qualidade superior já nascem ignorados pelo público e pela mídia. “Citaria a obra-prima Serras da Desordem, de Andrea Tonacci, os notáveis A Fuga da Mulher Gorila, de Felipe Bragança, Andarilho, de Cao Guimarães, Pachamama, de Eryk Rocha, e A Festa da Menima Morta, do Matheus Nachtergaele”. Grota disse ainda que um único filme de Andrea Tonacci vale mais do que todos os filmes do que chamou de “clã Barreto”.

A jornalista, professora, crítica de cinema e pesquisadora Celina Alvetti concorda com Grota. Para ela, o longa Estômago, do cineasta paranaense Marcos Jorge, deveria ser a aposta brasileira. Ela acredita que isso seria interessante pela visibilidade que o filme alcançaria. “Acho ótimo o 174 ter ficado de fora, assim nos poupamos de ouvir os auto-elogios conseqüentes”, disse.

O Brasil, segundo Celina, sempre tenta emplacar um filme que não representa a identidade das produções nacionais. “Essa coisa da necessidade de um referendo da indústria de Hollywood ao cinema é de certa forma imposta ao público brasileiro”.

A historiadora, que é uma das principais estudiosas da identidade do cinema paranaense, afirmou que o que falta para o mercado brasileiro de cinema é ousadia de assumir a estética própria das produções nacionais. “O que não se tem é a ousadia de assumir um filme mais debochado, mais sujo, mais na tradição do cinema novo que, afinal, é o nosso cinema mais original”, explicou.

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AS APOSTAS DE RODRIGO GROTA

Rodrigo Grota arrisca seus palpites para a premiação do dia 22. “Dos que vi, torço pelo Herzog na categoria documentário. Assisti ao seu filme sobre a Antártida e é muito bom. E também torço pelo Heath Ledger pela magistral aparição em Batman“, apostou Grota.

Para ele, alguns filmes estrangeiros muito bons não entraram na disputa do Oscar. “Há vários filmes de 2008 dos quais gosto muito e nem sequer estão entre os indicados”, comentou. “Filmes como Afterschool, do Antonio Campos, A Floresta dos Lamentos, da Naomi Kawase, A Questão Humana, do Nicolas Klotz, Um Conto de Natal, do Arnaud Desplechin, A Bela Junie, do Christophe Honoré, entre outros”.

Melhor filme:
- “O curioso caso de Benjamin Button”
Melhor diretor: - David Fincher - “O curioso caso de Benjamin Button”
Melhor ator: - Brad Pitt - “O curioso caso de Benjamin Button”
Melhor atriz: - Kate Winslet – “The reader”
Melhor ator coadjuvante: - Heath Ledger - “Batman – O cavaleiro das trevas”
Melhor atriz coadjuvante: - Penélope Cruz - “Vicky Cristina Barcelona”
Melhor longa de animação: - “Wall.E”
Melhor filme em língua estrangeira: - “Waltz with Bashir”, de Ari Folman (Israel)
Melhor roteiro original: - “Milk – A voz da liberdade”
Melhor roteiro adaptado: - “O caso curioso de Benjamin Button”
Melhor direção de arte: - “A troca”
Melhor fotografia: - “The reader”
Melhor mixagem de som: - “Batman – O cavaleiro das trevas”
Melhor edição de som: - “Batman – O cavaleiro das trevas”
Melhor trilha sonora original: - Danny Elfman – “Milk – A voz da liberdade”
Melhor canção original: - “O Saya”, de A.R. Rahman e Maya Arulpragasam – ”Quem quer ser um milionário?”
Melhor figurino: - “O curioso caso de Benjamin Button”
Melhor documentário de longa-metragem: - “Encounters at the end of the world”
Melhor edição: - “Batman – O cavaleiro das trevas”
Melhores efeitos especiais: - “Batman - O cavaleiro das trevas”
Melhor maquiagem: - “O curioso caso de Benjamin Button”

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

MAIS UMA TENTATIVA DE MATAR HITLER

Tom Cruise está no Rio de Janeiro para o lançamento de Operação Valquíria. Seu novo filme lidera bilheterias mundiais pelo segundo final de semana consecutivo

pub. dia 05/02/2009 por Vanda Moraes - vandymoraes@yahoo.com.br

Quem está em todas as capas de revista e conquistando páginas dos jornais é Tom Cruise, que chegou ao Rio de Janeiro com a família inteira e se hospedou no Copacabana Palace.

Apesar dos passeios em Angra dos Reis, dos jantares no Leblon e da proximidade com o Carnaval, Cruise não está de férias. A viagem ao Brasil faz parte da divulgação do mais novo filme estrelado por ele: Operação Valquíria, que estréia nas salas brasileiras no dia 13 de fevereiro.

O filme, assinado pelo diretor Bryan Singer (X-man, O retorno e O aprendiz), lidera as bilheterias mundiais pelo segundo final de semana consecutivo. A arrecadação até agora foi de 18,6 milhões de dólares em 26 países, elevando seu total acumulado fora da América do Norte para 38,9 milhões de dólares. Operação Valquíria está na frente de O Curioso Caso de Benjamin Button, indicado ao Oscar em 13 categorias, e de Foi apenas um sonho, que traz o retorno do casal Leonardo DiCaprio e Kate Winslet.

Cruise e sua família ficam mais alguns dias na capital fluminense, antes de continuar a divulgação do filme. Ator disse que tem intenção de voltar ao Brasil. Segundo ele, adorou o clima, a comida e a simpatia dos brasileiros.

Cruise dá o troco em Hilter

Em Operação Valquíeria, Tom Cruise é o coronel Claus von Stauffenberg, um dos oficiais mais ativos na constituição do plano que visava matar Hitler. “Odeio Hitler desde pequeno. Agora, finalmente, tive a satisfação de quase matá-lo”, disse Cruise, na entrevista de divulgação do filme.

O coronel que ele interpreta era um conde conservador que, no principio, simpatizou com os objetivos nazistas, mas depois percebeu a insanidade dos projetos do novo governo, os quais incluíam o domínio do mundo e a aniquilação total de raças inteiras.

A obra é mais um dos filmes que exploram os bastidores da Segunda Guerra Mundial, uma tentativa de clarear o nebuloso mundo que Adolf Hitler construiu para si, sem nem ao menos se importar com todas as outras pessoas que dividiam o mesmo planeta que ele. No dia 20 de julho de 1944, um grupo de oficiais que fazia parte da cúpula do exército nazista colocou em ação um dos muitos planos para matar o ditador, e quase conseguiu.

A bomba foi colocada por Von Stauffenberg em uma mala, dentro da sala onde Hitler se reuniria com os comandantes do exército para decidir quais os próximos passos da estratégia de guerra. Neste período da guerra, o exercito soviético avançava em direção a Berlim pelo oriente e os Aliados estavam prestes a entrar na fronteira da Alemanha pelo Ocidente.

Os EUA haviam entrado definitivamente no conflito, animando as indecisas potências européias, enquanto Mussolini, único aliado de Hitler, além do Japão, havia sido preso pelos próprios italianos e estava fora de combate.

A conspiração contra o chefe nazista não foi bem sucedida. Ele tiraria a própria vida em julho de 1945, após se casar com a amante Eva Braun, quando o exercito soviético marchava triunfante a centenas de metros da chancelaria do Reich alemão.

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sexta-feira, 18 de novembro de 2011

O SORRISO BRILHANTE


pub. dia 31/01/2009 por Vanda Moraes - vandymoraes@yahoo.com.br

Como é bela a primavera. A juventude. É a época dourada, onde todos os problemas estão resolvidos por ora, onde tudo pode acontecer. E, lentamente o outono começa. Apenas para nos lembrar que nem tudo são flores, que a vida nunca é justa, que coisas ruins acontecem, sim.

Outro dia, em um dos departamentos do hospital, encontrei uma senhora. De imediato me cativou a atenção a dificuldade visível com a qual ela lutava para se locomover: passos arrastados, o corpo todo encurvado sobre o andador, as mãos como que não querendo obedecer os comandos que o cérebro lhe pedia para executar, o sorriso largo em um rosto cansado. Passo a passo. Ela seguia em minha direção.

Por um momento, me quedei apenas observando a sua evolução pelo corredor. Só depois percebei que ela não estava só. A fisioterapeuta, de cuja consulta  a senhora havia acabado de sair, amparava com paciência, era apenas um apoio auxiliando sem impedir que a senhora caminhasse com suas próprias forças. Os olhos voltados para a paciente com toda a atenção, as mãos que amparavam de uma forma quase filial.

A senhora se vestia de uma forma simples, modesta, sem nada que pudesse despertar um comentário. Discreta. Na mão esquerda uma sacola, destas plásticas que a sustentabilidade manda que troquemos por sacolas biodegradáveis.

Era o começo da tarde. Eu, pretensa jornalista, estava no começo do meu dia de estágio, ainda escreveria uma reportagem e atenderia muitas ligações de jornalistas apressados em busca de notícias e de especialistas para encher as suas matérias de doutores com seus termos técnicos, já que isso sempre dá uma aparência de credibilidade. Então continuei, conversei com a senhora, com a fisioterapeuta, com outra paciente, com outra médica. E fui embora.

O dia tinha sido longo. A noite me trazia uma sucessão de assuntos nos quais pensar: o fim do mês que se avizinha com suas contas e prazos, aquele livro que ainda não consegui acabar de ler, aquele compromisso que tenho que cumprir… Eu, porém não pensava em nada disso enquanto procurava a chave perdida na bolsa na tentativa de abrir a porta. A imagem da senhora do hospital bailava em minha mente.

O grande problema da espécie humana (e meu, principalmente) reside na necessidade de tudo teorizar. Por que, me perguntei, esta cena em particular me tocou tanto a ponto de dela não me esquecer? Não pense, você leitor meu bom e talvez único amigo, que eu sou insensível. Sim, eu me emociono com a fragilidade e a complexa beleza da vida e de seus agentes. Mas eu estou todas as tardes em um hospital. Eu aprendi que as pessoas não têm plano de saúde, que elas ficam doentes, que elas definham dia a dia sob os olhos de seus filhos ainda menores e que ainda não sabem como sobreviver sozinhos. As pessoas morrem e não há nada, absolutamente nada que impeça isso.

Os obstáculos daquela senhora foram, depois eu soube, muitos maiores que os da maioria de nós, caro leitor. A médica começa a me contar, enquanto a senhora a observa com um olhar doce, ouve a própria história, eventualmente corrige algum detalhe. A mãe dela morreu no parto. Com dez anos (a médica frisa a idade), ela teve meningite. Em decorrência disso, ela ficou com seqüelas neurológicas, o que a deixou com os membros debilitados. “Amoleceu tudo”, me explica a senhora.

A medica continua. Quando ela tinha 35 anos, a madrasta morreu e ela foi morar em um abrigo, no qual está até hoje, 45 anos depois. E ela vem a este hospital todas as semanas desde 1961. E aqui ela é feliz: a senhora descobriu que consegue fazer tricô. As mãos, que no principio não conseguiam segurar as agulhas, agora confeccionam sapatinhos, casacos, blusas. E ela ri.

Mas, quando ela vinha, passo a passo em minha direção pelo corredor, eu não sabia nada disso. Ela conquistou a minha atenção em meio ao caos do hospital porque ela trazia um sorriso no rosto cansado. E por acaso, a luz que entrava pela única janela, por um breve momento, evolveu a senhora e a fisioterapeuta; seus olhos brilharam, me olharam com aquele sorriso cansado. Sorriso brilhante, em meio ao caos. Eu lembrei, por um breve momento, da primavera. E depois, fui embora.

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LOS HERMANOS ABRE PRO RADIOHEAD


pub. dia 17/01/2009 por
Vanda Moraesvandymoraes@yahoo.com.br

Marcelo Camelo entoa emocionado e um tanto sem jeito, os primeiros versos de “Dois barcos”, e é acompanhado pela platéia, já dita inúmeras vezes como fanática. O show vai seguindo sucesso após sucesso da gloriosa carreira do Los Hermanos. Os fãs, por sua vez, cantam cada verso como se fosso pela última vez.

Em agosto de 2008 foi lançada uma coletânea com CD e DVD do último show. O DVD “Los Hermanos na Fundição Progresso” inclui 31 dos maiores sucessos da banda tirados dos quatros álbuns. Neste show todas as músicas são cantadas numa proximidade emocionada da platéia com os coros uníssonos, já característicos das apresentações da banda e raros nos shows de rock nacionais na atualidade.


Agora, depois de cinco meses os fanáticos pelo som dos “Barbudos” recebem uma pitada de esperança: o Los Hermanos confirmou que fará a abertura do show da banda inglesa Radiohead. Assim como a apresentação na Fundição Progresso, isto não representa uma volta oficial da banda, mas sem dúvida será um momento especial para a legião de fãs.

Já foi dito que a banda Los Hermanos é a confirmação de que existe “vida inteligente no Brasil” nesta geração pós-meados da década de 1990. A banda lançou apenas quatro álbuns em toda sua carreira, mas deixou milhares de fãs órfãos quando decidiu parar por tempo indeterminado.

A relação do publico com a banda era de verdadeira devoção com shows lotados e platéias histéricas em todo o território nacional. A sabedoria popular afirma que a saudade fica maior com a distância e a certeza de uma perda. Apesar de se apresentarem na abertura do show da banda inglesa, o Los Hermanos estão recebendo tratamento de banda principal pelo público que deve comparecer em peso.

Esta apresentação tem tudo para ser histórica. Isso porque pode ser especial por ser o último show do grupo ou pode marcar a reunião definitiva da banda. Os interessados em conferir pessoalmente o espetáculo ainda encontram ingressos no valor de R$ 200,00, pelo site ingresso.com. Os shows acontecem nos dias 20 (Rio de Janeiro) e 21 (São Paulo) de março.

Serviço:
Rio de Janeiro
Dia 20 de março de 2009
Praça da Apoteose - Av. Marques de Sapucaí s/n - Centro
Ingressos: R$ 200
Vendas a partir de 5 de dezembro pela internet ou na bilheteria um do Maracanãzinho (Prof. Eurico Rabelo - próximo a estátua do Bellini)
Informações: (21) 30 35 76 21


São Paulo
Dia 21 de março de 2009
Chácara do Jóquei - Avenida Francisco Morato, 5100 - Ferreira
Ingressos: R$ 200
Vendas a partir de 5 de dezembro pela internet ou nas bilheterias do Estádio do Pacaembu (Rua Prof. Passalaqua, s/n - ao lado do portão 24).

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FROTA DE VEÍCULOS DE CURITIBA AGRAVA FALTA DE ESPAÇO PARA CARRINHEIROS

pub dia 14/01/2009 por Vanda Moraes - vandymoraes@yahoo.com.br

A falta de espaço para os carrinheiros piora cada vez mais devido ao aumento da frota de veículos deCuritiba. A constituição prevê que os carrinhos dos catadores de papelão são veículos de propensão humana e contam com uma legislação específica. O carrinheiro não pode andar sobre a calçada sujeito a uma multa no valor de R$ 191,00.Cleia Souza Leal, 24 anos, é carrinheira e tesoureira da Associação de Carrinheiros Vila Zumbi de Colombo. Ela diz que a lei não deixa alternativas para os carrinheiros. “Eles nos proíbem de subir na calçada, mas não fazem uma faixa para a gente andar”, afirmou.

O problema da disputa por espaço se tornou mais grave com as diversas obras pela cidade. O carrinheiro Adaio Mendes, 57 anos, foi atropelado na semana passada no trecho em obras da Linha Verde, antiga BR 116. “O acidente foi grave, ele teve problema na coluna e nas pernas.”, explicou Cleia. “Ele não morreu, mas ficou com seqüelas. E ainda vai ter que trabalhar com a dor e o sofrimento, porque é a única forma de trabalho que tem”, concluiu a carrinheira.

A legislação também diz que os catadores devem andar no mesmo sentido do trânsito, ao lado direito da pista, junto aos outros veículos. Além disso, o condutor precisa sinalizar com as mãos, onde pretende entrar. Já nos casos onde o carrinho é levado por um animal, é considerado veículo de tração animal e obedece as mesma regras do tráfego de veículos automotores.

Para reivindicar seus direitos no trânsito, os trabalhadores contam com um movimento nacional. “A gente está em busca dos direitos do carrinheiro como prestador de serviço público pelo recolhimento do lixo que não é lixo e pelo respeito que a gente merece no trânsito”, concluiu Leia.

Curitiba conta com aproximadamente dez mil carrinheiros, que recolhem cerca de 500 toneladas de lixo. Isso equivale a 92% de todo o lixo recolhido na capital. Na década de 90, Curitiba ficou conhecida como a capital ecológica principalmente pelo recolhimento e reciclagem de lixo, apesar da prefeitura ser responsável por apenas 20% da coleta.

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