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sexta-feira, 18 de maio de 2012

AFORISMOS SEXUAIS

NA CARA DO GOL:
"cú de galega... o pau entra ingual mantega"

REDAÇÃO PUBLICITÁRIA:
"ménage à trois: um cara em cada peito"

CANTIGAS DE MAL DIZER:
"-que vire uma pizza depois!"

ANTI-PROPAGANDA
"gravidez? foda é fralda!"

DOS OUTROS
"É mito afirmar que o homem é uma máquina infalível: - O pênis é apenas um dos mecanismos na interação íntima do casal; uma forma de carinho e comunicação."  dr Calvino C. Fernandes

ROMÂNTICO
"dai a gente enche a cara de vinho, cerveja preta
come uma pizza de tomate seco e vem dormir gordinho"

DA INTERNET
"nossa, como é difícil arranjar mulher nesta sala" 

(05:55:14) pequeña fala para sandersom serio: soy de curitiba ,mas vivo en madrid
(05:57:54) Cu leitado sai da sala...
(06:58:15) RAPAZ SIGILO (reservadamente) fala para Todos: Algum cara ativo e discreto a fim de tc?
(06:00:09) Nádia fala para Todos: Outro pseudo empresário.
(06:01:19) Contém 1 Loira fala para HOMEM NO HOTEL: tudo e vc?

(06:01:34) Maria  fala para Arnaldo: vc e lindo sabiá . e mi deixou cheia de desejo.

(06:02:01) Rigidez Cadavérica fala para Esoterico Curitiba: Este é o novo conceito para escorregar na banana?

(06:02:14) Cowboy fala para Esoterico Curitiba: Saudade daquela época que todas as doenças venéreas se curavam com penicilina

(06:02:17) Leandro 27 fala para Esoterico Curitiba: a prevenção do cowboy é uma mijadinha depois... kkk

(06:02:57) Vaginnas fala para algum militar?: Produtos 99% mais baratos que nas lojas!!! a nova febre da internet: www.leilaonaogora.com

(06:03:57) A VERDADE fala para Todos: ACORDA BRASIL!

(06:04:01) Sinuca Nervosa (reservadamente) fala para Leandro 27: E ai cara, blz
o? tu chegado em sinuca nervosa?

(06:04:11) Olhos Azuis H entra na sala...

(06:04:19) branca fala para Todos: O lacre violado

(06:04:29) Caguei milho entra na sala...

(06:04:47) edivaldo e luzia (reservadamente) fala para Charles, guerreiro: QUERO UM EMPREGO DE CASEIRO PRA TRABALHA NUMA CHACARA

(06:04:55) Chás e Ervas (reservadamente) fala para Todos: Sou Fitoterapeuta e iridóloga especializada nas terapias a seguir: Acupuntura sem Agulhas, Argiloterapia, Cromoterapia, Fisioquântic, DNA (Serpentes da Mãe e do Pai), Fitoterapia, Florais Quânticos, Hidroterapia, Iridologia, Moxabustão, Nosódioterapia, Terapia de Pedras Quentes, Terapia Floral e FTP.

(06:05:05) Mary Lee (reservadamente) fala para Leandro 27: seus lábios são labirintos... churrasquinho irado...

Pitbull cansei, cansei de monte cristo

(06:05:14) Gato Solt discreto fala para Todos: .FETISH INFLAVEIS – num colchao inflavel, colocar o cara na extremidade, enrolar como se fosse um rocambole e eu fosse o recheio do colchao, passando corda em volta, depois inflando co colchao comigo preso ali dentro, usando plug anal. Quando mais inflaveis, mais imóvel eu ficaria, ate eu nao poder movimentar nada do corpo de tao inflado que estaria o colchao. Alguem curte esse tipo de imobilização?,

Pitbull cansei, cansei de monte cristo
(2x)
Era a história de um diretor de TV q recebe autorização pra fazer um filme sobre a morte:

"e assim morremos nós"

durante o filme ele conhece um casal, o homem do casal é doente terminal,

vivem 20 anos casados sem paixão, mas se gostavam e até se davam bem
ele era um tanto frio, mas zelava pela esposa
a morte tem seu lado positivo
a mulher se aproxima mesmo do marido
nos últimos dias de vida
justamente por uma canção q ele solfeja

Pitbull cansei, cansei de monte cristo

 .

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

REAÇÃO EM CADELA (primeira parte)


[Erotismo & Morte ou Abandonem Qualquer Esperança de Influenciar-me] Momento de prazer aqui no JTG. Nossa coluna de sexo acaba de ser abastecida com mais um conto da Léo!


pub. dia 16/02/2009 por Léo Glück - gluckose@hotmail.com

Dessa vez ele gozou.

Dentro.

Sua expressão aleivosa e lucipotente me horrorizou.

Como uma mão enluvada, escorreguei para fora da cama.

A orgia é o momento explosivo da modernidade, pensei. O que fazer após a orgia? Me sentia cansada, tinha fome, tinha ódio. E vontade de matá-lo. Eu sou gentil, talvez esquartejar seu corpo inconsciente, úmido de humores mórbidos, que eu tanto lambi. Congelar seus pedaços para mais tarde.

No princípio um beijo, um cigarro e uma esperança. Eu precisava deixar a vida de puta. Não estava sendo racional e me sentia cartesianamente errada. Gostaria de passar a fase das peripécias. Gostaria que Deus me desse, a mim também, a paz sexual.

Para mim o amor não virá jamais, penso isso abrindo a geladeira e pegando a margarina. Que, por sua vez, pobre coitada, será usada como vaselina. Nem a ela lhe foi dada a chance de escolher. Ligeiramente desviada de seu fim primordial.

Com os cinco dedos tortos deslizando no meu rabo, ele sorriu. Pediu meu botão rosado, a real entrada do castelo. Não, os olhos são apenas as janelas, meu bem. Com venezianas. Cerradas. Rodopiando, os lírios negros totalmente maduros. A pulsão secreta me mordia as entranhas, o prazer em mim, queria aquela entrada, pedia, piscava. O sol da tarde na minha boca, o mundo, os carros, a menina rebelde nos campos de girassóis, as folhas do outono, nada disso iria parar. Mas a coreografia era bonita, e incansável.

Afinal de contas, It’s In Our Hands. It always was.

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REAÇÃO EM CADELA (segunda parte)

Ele estava gostando da conquista, de fincar a bandeira. “Imperialista!”, insultei em silêncio. O progresso se esconde aqui, bem dentro do meu cu. Esse mesmo cu que todo mundo come, mastiga e esnoba. Esse mesmo cu que é lugar do início da metástase. Um cu promíscuo e elástico. Quente e molhado. Um cu interrompido, cheio de angústia e júbilo. Cu feito de pão. Um cu Naïf. Um cu De Stijl. Um cu Dadá. Esse cuzinho aqui, que se acomoda em torno da tua vara. O mesmo cu que olhava para aquele pau, preto e duro, caminhando em sua direção. Talvez fazendo imperceptível esgar de racismo cotidiano. Enfim, um cu nazista. Pensava que depois precisaria se lavar.

Me fode em inglês, eu disse.

Entrou, devagar, raspando pelas paredes, rasgando. Uma amiga me disse que o primo lhe havia contado que buceta de nêga parece que tem uma lixa dentro, e que buceta de polaca é aguada. “Fuja loca!”, me ocorreu. Pensar nisso agora é simples sintaxe estética: somos todos secretamente iconoclastas. Quando um construtor de software introduz uma soft bomb no programa, usando sua destruição como meio de pressão, não está tomando o programa e todas as suas operações como reféns?

Especulei sobre o mal. Ficção-científica? Nem tanto. Não sou contra violência gratuita de vez em quando. Procedimentos cirúrgicos desfigurantes. O contágio do terrorismo acontece através do amor.

— Não sinto amor em minha medula.

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REAÇÃO EM CADELA (terceira parte)



Ele acaba de foder um plástico — chego a essa conclusão primeva — , acaba de foder uma lycraSensationFake Plastic Trees e o mundo é de mentira. Não há reprodução, somente vírus eletrônicos. Ainda estou fértil, ainda sou a deusa da fecundidade. Minha reação é um processo imoral, resultante dos pulmões cheios de rugosidades.

Vem, meu amor, meus rins beberão a tua porra!

Inscreva tuas legendas pagãs em minhas carnes claras. Eu, de quatro fazendo uma chupeta levemente lisérgica. Um boquete apenas. E nada mais. Nasci para isso mas nego minha existência.

Me disse que o bico do meu peito estava mais escuro porque ele acabara de mordê-lo mas que originalmente era meio rosa.

Meio rosa? Alguém conhece essa cor? Azul da Prússia, Verde-pavão, Magenta eu conheço. Mas “meio rosa”???

A arte prolifera por toda parte, oras.

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REAÇÃO EM CADELA (final)


Baudrillard para o raio que o parta, J.J. O’Molloy somente na página 181 e olhe lá. Sou burra sim, e daí? Para trepar é preciso doutorado? Ora, o feminismo caducou! Fora da minha casa agora!

Foi-se. O pau babando ainda. Tinha me dito que eu era uma diva.

Acho que é mais seguro transar com michês. Meu sonho é cinco de uma só vez (a R$ 20 cada gastarei R$ 100 no total: mais e eu abro sindicância no Procon); se dois forem bonitinhos, faço até DP.

Há ainda uma lateralidade quando a expurgam de toda essa superestrutura psicodramática?

Quanto a mim, gozei duas vezes. Uma com ele metendo e outra com ele me chupando. No banho, eu lavei a calcinha ‘lilás-do-Conde’ suja com shampoo para cabelos crespos e quimicamente tratados.

Ah, não há amor como o futuro amor.

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sexta-feira, 18 de novembro de 2011

AINDA É NECESSÁRIO GOZAR

E a seção de sexo do JTG está volta! Hoje com a inestimável participação do teatrólogo curitibano Ricardo Nolasco que, a partir da obra da escritora Hilda Hilst, lança as seguintes questões: literatura pornô também pode ser considerada “alta literatura”? A arte pornô pode ser uma arte maior?

pub. dia21/01/2009 por  RicardoNolasco - misterwild@gmail.com

Se pudesse seduzir a morte,
lamber-lhe as axilas, os pêlos pretos,
babar no seu umbigo, enturpir-lhe as narinas
de hálitos melosos, e dizer-lhe:
sou eu, gança, sou eu, mariposa,
sou Karl, esse que há de te chupar eternamente
a borboleta se tu lhe permitires
longa vida na olorosa quirica do planeta.

(CARTAS DE UM SEDUTOR. Hilda Hilst.)

Já é hora de mergulhar na literatura pornô de boa qualidade e entendê-la como alta literatura, quando for. Separar corpo de mente não é a melhor saída para ambas as partes. O erotismo é um gênero com as mesmas exigências.

Que a literatura possa nos satisfazer. Que ainda possamos gozar sem ofender a intelectualidade…
“Uma escritora séria” foi por muito a melhor definição para Hilda Hilst. Versando pela dramaturgia, poesia, prosa. Vasculhando nos híbridos literários, desafiando estilos, misturando tudo. Sempre com linguagem indomável, efeitos, flashes, cortes. A musa de Vinicius de Morais e mais meia dúzia de escritores igualmente sérios. Um estilo que lembra James Joyce na estrutura e na técnica, temáticas profundas e existencialistas, escrita certeira e nebulosa. Hilda Hilst era aclamada como o grande talento literário brasileiro, até produzir seus primeiros trabalhos em prosa e versos eróticos.

De imediato odiados pelo leitor, levando quase imediatamente seus livros para a prateleira da pornografia nacional, ao lado de Cassandra Rios. É ali que muitos encontram seus livros, por mais irônico que possa parecer, se assustando com seus conteúdos e desistindo rapidamente de tal literatura enfadonha.
Longe de mim reproduzir o pensamento da maior parte da crítica literária, que luta por resgatar Hilda Hilst do limbo da literatura pornô. Literatura pornográfica sim. Mas tão pornográfica quanto séria. Em “O Caderno Rosa de Lory Lamby”, seu primeiro e mais chocante livro erótico há um estudo complexo da alma humana, do incesto, e do próprio sexo. Há uma forte intertextualidade (aos moldes de Virginia Woolf) com clássicos literários. Critica a banalização da literatura, retrata o ser humano.

Talvez sua maior proeza literária esteja entre seus livros considerados de baixo calão. “Bufólicas”, um livro de poemas onde o pastiche e a paródia são executados com maestria, como indica o título que transforma o poema bucólico parnasiano em um bom exemplar do poema bufo e burlesco. Personagens míticos como duendes, reis e fadas são revistos sob o olhar da perversão e do humor. Como um bom livro de fábulas, em cada poema, são apresentados os personagens, posteriormente o problema, e ainda a resolução do problema. Finalizando sempre com uma “instrutiva” lição de moral.

Em qualquer de seus livros o erotismo sempre é atrelado à violência.

“Só três noites de amor, só três noites de amor”, implorava o pai, sim, o pai, ele nunca fizera uma coisa como essa, sim, era Jaú, interior de São Paulo, um dia qualquer de 1946, sim, a filha deslumbrante, tremendo em seus 16 anos, sim, o pai a confundia com a mãe, a mão dele fechada sobre a dela, sim, o pai a confundia com a mãe, a confundia, sim?…”

(CARTA AO PAI. Hilda Hilst)

Um erotismo que não esteja relacionado simplesmente a situações de perversões bizarras. É um grito de subversão. A descrição, muitas vezes entendida como vulgar, de uma relação que nunca é apenas sexo. É repleta de traumas, medos e motivos. Narrativas de uma mulher (mesmo quando assume alter ego masculino) que se põe acima da categoria de objeto de desejo.

Conteúdos tão subversivos e insultantes ao leitor como a sua escrita.

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UM DIA DE GARÇOM

Amigo leitor, antes de tudo, preciso dizer que sei o quão sou feio. Sei que não é bonito ser feio, mas dou o tiro com a arma que tenho. Falo isso, sabendo que a “falsa modéstia é o último requinte da vaidade”. E, como sou avesso do avesso de ser vaidoso, vou lhes contar sórdidos detalhes do meu dia de garçom e, por conta disso, também dia de Fábio Junior



pub. dia 24/12/2008 por
Leandro Hammerschmidt

Há duas semanas re$olvi trabalhar de garçom. Quem arrumou o bico foi minha namorada Erika. 90 pilas por noite. Pensei: moleza. Achei que ia só levar umas bebidas pros convidados. Ganhar umas gorjetas. Beber de graça. E pra isso acontecer, só precisava chegar ao lugar (naquele dia Jockey Club) com cabelo arrumado, terno, camisa branca, gravatinha e sapato; tudo isso pra pegar a tal “regra”, ou seja, alguma vaga que sobra quando falta garçom.

Se o amigo leitor se interessa pelo trabalho, adianto que é preciso ter contatos, telefones, pelo menos. Geralmente nas segundas-feiras o maître (o chefe dos garçons) monta a escala de quem vai trabalhar durante a semana. Também é preciso ter um alvará da prefeitura pra trabalhar de garçom, mas isso é bem fácil de tirar numa Rua da Cidadania.

Cheguei ao Jockey por volta das 15 horas de sexta-feira, mais perdido que cego em tiroteiro, cachorro em mudança e mais por fora que teta de véia. Perguntei pelo tal Cândido - pastor e dono do buffet. Me deixaram entrar, dois maitres (um e uma) me receberam e me deram a vaga. A primeira coisa que ele me perguntou era se eu trabalhava como garçom. Como não sei mentir, disse “mais ou menos”. Daí ela me perguntou se sabia servir com bandejas. Disse um firme: sim!

Aquele dia seriam duas festas e eles não podiam escolher muito. Cada maitre tem uns 1000 problemas e cada um com os seus: um me puxava pra baixo e o outro me puxava pra cima. Fiquei na festa do andar de baixo, com a maitre Juceli. Gente-fina.

Pra começar o dia de garçom carreguei umas dez mesas. Mas nisso tenho prática, meu pai é caminhoneiro e volta e meia trabalho de “chapa” descarregando mudanças ou batendo carga. O problema é que neste caso a gente precisava pegar as mesas (mais de 20) e subir dois andares com elas nas costas. Depois de colocadas no lugar e arrumadas, começamos a polir umas (400) taças; depois ajudei a ajeitar os talheres (aqui a Juceli me olhou e perguntou mais uma vez se eu realmente trabalhava como garçom; mas daí já era bem tarde).
Depois disso me assumi e comecei a pedir dicas pra todo mundo e passei a aprender coisas com dois garçons experientes: “pra servir a gente vai pela direita e pra retirar é pela esquerda do cliente”, “os  garfos a gente alinha com as facas da cadeira oposta”. Hã? Ah! entendi. “a bandeja, segure com a palma da mão”. “Tenha sempre abridor, caneta e isqueiro no bolso”. “E nunca, mas nunca mesmo chame um bêbado de bêbado: concorde com ele!”. Na verdade, esta última dica é do Gera, o dono do bar que freqüento às segundas.

A festa de baixo começava às 22 horas; a de cima às 20 horas. Antes disso ainda deu tempo pra lanchar pão com manteiga e coca. Depois fui me arrumar. Quase nunca uso terno, meu pai não usa, não sou estudante de Direito, não trabalho em empresa grande e nem sou crente. Então não tenho muitos motivos pra usar terno, mas naquele dia até gostei de usar.

Começou a festa: correria, Leandro prá lá; Leandro pra cá. Água, whisky, red bull, isqueiro, “ quero isto, quero aquilo, assim, assado, cozido”. Olha, pra trabalhar de garçom é preciso ter muita atenção e boa memória pra lembrar os pedidos. Mas tem um lado bom neste lance de servir: a gente se sente bem fazendo a alegria dos outros. Por isso também caprichava nas doses de whisky. Tanto que toda vez que um japonês (detalhe, o noivo era descendente de japoneses e a festa estava cheia de deliciosas mestiças) me encontrava no salão ele me abraçava e me chamava de Leandro e/ou de atleticano. E graças as minhas doses generosas (“sem miséria” como dizem) em pouco tempo o japa era o cara mais feliz da festa e eu o queridinho daquela “praça”.

Fiquei com três mesas, este conjunto de mesas é o que os garçons chamam de “praça”. Na minha havia um “apoiador” ou “amparo” – um móvel no salão que a gente coloca jarras, garrafas, balde de gelo, pra não precisar ficar indo  todo minuto pro bar – bar que no Jockey ficava lá nos fundos, bem próximo ao local onde ficam os donos do Buffet. Seu Cândido, o chefão, não estava no ambiente, mas deixou gente pra fiscalizar. Ainda assim deu pra beber um pouquinho. Mas posso dizer de boca cheia: trabalhei direitinho das 14 horas até o final da festa – lá por volta das 4h30 da matina.  Acontece que tudo ia bem, até que me acontece um sinistro:

Mulheres


Assim como me tornei o queridinho do japa, que acabou a festa todo vomitado, também me tornei o preferido entre as mulheres. Sério, elas começaram a se aproximar, a sorrir, a conversar pertinho. Se uma mulher se sente à vontade para sorrir contigo, tudo mais vem fácil (aprenda esta lição!). Mas nunca esqueci que tenho mulher, que a amo, e que naquela noite estava ali só pra servir.

E não existe coisa mais chata que um garçom em cima do cliente. Juro que não fiz isto. Acontece que à medida que trazia os vinhos, espumantes, mais gente eu “abria”. Fui super atencioso e profissional, servindo a todos e fazendo amigos (à luz da orgia, é claro). Acontece que aos poucos a relação com algumas pessoas (pasmem, foi mais de uma) foi ficando, digamos assim, periglosa. Percebi olhares, sorrisos, gracinhas.
Enquanto isto eu só trabalhando. E aqui está o charme! Vou te contar uma coisa sobre as mulheres: penso que elas não gostam de homem desocupado, sem rumo. Além de atração pelo o que é proibido. Então, creio que se estivesse de bobeira naquele lugar dificilmente despertaria atenção delas. E podem espernear, mas elas todas são iguais. Pois o que serve pra uma, serve pra todas.

Metade do trabalho já estava feito. Até ali tudo estava bem, já tinha até ganho a confiança dos fregueses e colegas, até que aceitei tirar uma foto com uma moça.

Não ria agora amigo leitor, tenho espelho em casa, mas depois da primeira foto começou a juntar mulheres querendo tirar foto comigo. Oh delícia! Até que uma mais assanhada pegou minha mão e me fez enlaçar sua cintura, se soltando em meus braços e me obrigando a segurá-la. Soltei minha espada. Nisso outra, que trabalhava de garçonete nos EUA, pegou minha bandeja e começou a juntar copos pra me mostrar nossas afinidades. Lembrei das sábias palavras de um colega “nunca deixe ninguém tocar na sua bandeja, pois a bandeja do garçom é a espada do samurai”. Não deu outra, a maitre viu a menina nos meus braços, a bandeja na mão de outra e quis me arrancar dali. Literalmente, me pegou pelo braço e fez um cabo de guerra com as moças.

Mesmo visivelmente gostando, sabia que aquilo não ia acabar bem pro meu lado. A resposta da maitre foi imediata: tirou-me da função e pôs pra carregar pratos da cozinha pro estoque. Da cozinha pro estoque. Da cozinha pro estoque. 300. Segundo a Juceli, aquele assédio tava causando falatório e até poderia “despertar a ira de algum marido”. Nesta hora pensei, poxa que culpa tenho de ter nascido assim?

Nem preciso dizer que, no fundo, gostei da história. Senão não contava aqui e nem tirava estas fotos – tudo com ajuda da minha mulher, é claro – num esforço pra registrar meu dia de garçom e de “galã”, pois vai saber se acontece novamente.

Acontece que depois daquela festa (minha primeira como garçom) nunca mais fui chamado pra trabalhar no Jockey. Arrumei outras “regras” em outros buffets, com outros maitres, mas nunca mais no jokei. Ouvi relatos parecidos – de garçons exaltados – e por isso te contei minha história amigo leitor, especialmente pra você que precisa de algum dinheiro “fácil” e já começa a pensar na possibilidade de trabalhar como garçom. E, se este for seu caso, escute este conselho: aprenda a ouvir os mais antigos e sempre tome cuidado, mas muito cuidado com as mulheres.


Serviço:

Telefones de Buffets: Mansão Merano (41) 3372-1621, Capri Eventos (41) 3285-5500, Estação (41) 3239-3099, Clube Curitibano (41) 3014-1981, Graciosa (41) 3015-5005
Taxa: entre 90 e 100 pilas por dia de trabalho
Horário: das 14 h (ou 16 h) até acabar a festa

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IDIOSYNCRASIE ÉROTIQUE

Uma das melhores escritoras brasileiras de todos os tempos se chama Léo Glück. Ela estréia hoje – vejam que honra! – nossa nova seção de sexo no JTG. Confiram!


pub. dia17/12/2008 por  Léo Glück - gluckose@hotmail.com

Experiência lúgubre, Aníbal, meu encanador, veio consertar meu encanamento. Clichê ou não, Aníbal era de um porte físico magnânimo. Tatuagem grande e colorida em um dos braços, não lembro qual. Acanhado e inibido, marinheiro e trovador, foi ele quem me agarrou, quase travando comigo uma luta corporal, mordiscou todo o meu corpo e lábios e mamilos com uma fúria tal que tive de ceder aos seus (seus?) impulsos. Meu gato (o felino Overdose) preso na cozinha, ouvindo tudo e me odiando por isso. Ele me chamou de beijoqueira no dia 21 de julho, enquanto se vestia e eu me arrastava pedindo mais. Eu havia entrado irrevogavelmente para a vida cristã (safismo em Lesbos, me ocorre agora). Eu estava somente de calcinha, preta, sem rendas, sem brilhos, sem o supérfluo. Uma camisa justa com as costas desnudas. Ele era forte como um cavalo e eu pensei em como a Marieta Severo estava maravilhosa em Laços de Família, título esse, aliás, que eu pensava ter sido furtado a um livro da Clarice Lispector. Será que eu tinha razão? Será que eu sou frígida? Show me your palms.

Aníbal perdeu as estribeiras e me possuiu de maneira violenta. Havia uma patente desproporção entre nós (acidente natural, diria a literatura técnica); nós ouvíamos ‘A Cena do Balé’ do Lago dos Cisnes e eu delirava sobre o Karajan regendo a Filarmônica de Viena: Tchaikovsky por um fio. Talvez encobrisse a minha gritaria, talvez pudesse ser Cocoon, da Björk, mais calma, mais melódica e, no entanto, mais ácida. Who would have known?

Toda concussão, a língua ferida, o sexo cheio de hematomas e esperma (ele não quis esporrar na minha cara dessa vez; na próxima, eu beberei, porra, alma e tudo), as pernas e o rosto luxados, escoriações generalizadas, quatro costelas quebradas, dois dentes a menos, dilaceração do ânus — o médico sorria.

Ele me xingava de puta (ou foi de vaca velha e eu me iludi?) e eu começava a chupar o seu cacete, ele vinha por baixo de mim e eu sentia sua língua, atlética e anti-sedentarismo, sorver toda a seiva que eu ia derramando. Ele me chupava como profissional, eu queria aquilo, eu não resistia, me sentia uma cigana no meio do feno, a boca cheia de palha eventual, Gipsy Kings e todo o resto.

Rasgue a minha roupa, rasgue a minha boca, Aníbal socou seu potente mastro dentro da minha chavasca e eu queria dar o cu. Adoro dar o cu de graça (caio no ópio por força. Lá querer que eu leve a limpo uma vida destas não se pode exigir).

“Me arregaça, fode forte!”, dizia eu. Já havia gozado diversas vezes mas não era hora de parar, ele estava escandalizado e não cessava sua pregação enquanto me fodia. Me criticava veementemente pela vida irregular que eu levava. Eu tinha a classe das vedetes do striptease e queria mais. E mais. E jogava-lhe no rosto minhas peças de indumentária. “Prefiro escorregar nos becos lamacentos, Redemoinhar aos ventos, Como farrapos, arrastar os pés sangrentos, A ir por aí…”, era o que murmurava José Régio, sempre moderno, no meu ouvido lambido. Who is it? Andei continentes e ilhas oceânicas e sem paz, tu, e somente tu, palavra única e dileta, deverás saber: obra do vento e nada mais.

Ele deu uma dentada forte nas macias carnes de meu púbis animado e sem pentelhos e eu berrei. Ah, as nossas travessuras sexuais. O dócil mancebão não se compadecia de mim. Aníbal urrava como um bicho: todos os pecados e orquestras do mundo estavam presentes. Conosco e em nós. Pluto total. Os vizinhos, que já começavam a reparar na sordidez do escândalo, batiam na porta perguntando o que acontecia. Sem resposta e ouvindo os gemidos lancinantes de dor que eu expelia involuntariamente, batiam fortemente e exigiam que a porta fosse aberta. Nossos impulsos afrodisíacos eram, contudo, mais fortes.

Queria que eu mijasse na sua cara, que cagasse no seu pau e na sua barriga bem talhada, e eu pensava na família pobre, no berço roto, no desgosto. Deveria ter nascido na Sibéria, que, ao menor descuido, me congelaria a mão exposta e me prostraria ao pé do fogo, ouvindo uivarem os cães brancos e bondosos, a guarnição única. A Vodka descendo vertiginosamente pela garganta como o infame colostro materno, me vacinando contra todas as doenças póstumas. Talvez eu devesse ser o Bob Burnquist, rodopiando na pista caseira e chutando o skate: aquilo que eles, tentando enfeitar, chamam de flip. Ou, ainda, a Gloria Estefan cantando Reach nas Olimpíadas. Como eu adorava aquela música! Acordava com ela e dormia com ela, me imaginava uma daquelas musculosas e admiráveis irmãs Williams. If I could reach higher.

Aníbal enfiava sua rola dentro de mim, penetrava fuçava remexia bolia babava tirava e botava com bola com tudo, eu desacordada. Sonhava com uma cascata de porra para me lambuzar no ano novo, com o Louis Armstrong vindo me buscar de barca no meio da leptospirose, enquanto cantava What A Wonderful World! e eu carregava comigo um exemplar de 1957 de Os Miseráveis, do Victor Hugo, eu estava no Livro Quinto da Parte Primeira (Fantine), na minha gruta de anacoreta, minha mobília de ampulhetas aladas. Eu, a Leo de La Flor De Mi Secreto, branca como a neve (metáfora gasta mas ainda sugestiva), desmaiada, sangrando pelas minhas partes mais delicadas, Aníbal inocente. Yo, Amanda Gris, grávida de todos los niños del mundo, como la mais burra de las arañas tropicales, dançando pela vida sem música, chacoalhando a cabeça sem Prozac. “Meu dia chegará”, pensava comigo mesma, os dentes soltos no mundo, a barriga doada y as dívidas sem perdão.

No começo a gente rebola um pouco e depois perde a paciência. Eu gosto de pau grande, cabeçudo. Gosto de homem loiro, o pau rosa, a boca rosa, a vida rosa. Quero perpetuar a espécie, quero a descendência caucasiana, chega de sofrimento. Chego a admitir transar com um judeu e gozar em sua boca. As crianças von Trapp, infernais, em redor, e eu subindo em árvores (one of my favourite things). Cansei de ser sexy, as meninas têm razão. A Madonna caiu do cavalo, o que mais nos aguarda?

“My heart was so broken. It was in pieces…” e ainda está. O fígado, dizia Galeno, era o centro do sistema sangüíneo, onde o alimento era misteriosamente transformado em “espíritos naturais”. O coração era uma desnatadeira e uma fornalha.

— Preciso que me salvem.

Dois na bosta, Aníbal e eu. Aníbal é casado. Cansado da esposa (lar, doce lar: o cheiro de fritura sempre vence). Só posso estar com Aníbal até as seis da tarde ou. Cortem-lhe a cabeça! Oh, pobre pequeno Lewis a bolinar criancinhas. Como Michael Jackson. Realmente Thriller. Eu brigava com uma ex-amiga e tentava demovê-la de gostar do Michael Jackson, ela era negra. Jamais conseguiria. Iguais se atraem. Deus foi feito à minha imagem e semelhança: nós dois temos um Papa nazista. Onde estará o Führer? Where’d be the Boss?

Não tenho nenhum valor literário mas minhas palavras são boas para quem quer tocar uma punhetinha ligeira e descompromissada.
O donzelo Felisbelo da Silva que o diga, com todas as suas Liberdades Sexuais! Bom mesmo é gozar na cara do chefe, três, quatro, cinco vezes. Levar uns tapas no rabo, dedada no cu, pintada na cara. Adoro aquela dorzinha de tanto fazer amor (fazer amor??? Pelo amor de Deus…) Quando você tenta fechar o músculo mas já não consegue, o pau continua entrando, à sua revelia. Enlouqueço. Assumo minha ninfomania sagrada, dou para qualquer um, religioso ou não. Na rua, na chuva, na fazenda. Ainda não tentei nenhuma casinha de sapê, é preciso que se diga. Big deal.

Horas depois, Aníbal foi preso e processado; mas a Justiça o absolveu, levando em consideração a sua não culpabilidade, pois que tudo ocorrera — não coerente com violência física ou grave ameaça — , mas em virtude da desproporção (eu amo as desproporções e os despropósitos) entre nossas constituições, compleições, idiossincrasias físicas. Não houve sadismo nem nada disso. Eu era frágil demais para ele, tão másculo e tantas proporções anormais.

Fiquei caída no chão, ensangüentada, meretriz de um homem só. Precisaram me levar para o hospital. Passei a amar Aníbal. Meu nome é Amor, sou feliz sem dinheiro.

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