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terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

A ELEVAÇÃO PELOS GANCHOS


Especial Suspensão corporal pub. dia 13/02/2009 por Franco Caldas Fuchs – francofuchs@gmail.com

Mesmo quem não é ligado na body art e na body mod (arte e modificação corporal, em inglês) já deve ter ouvido falar de pessoas que gostam de ficar suspensas por ganchos atravessados na pele. Tal prática não é novidade.

Mas o que é novo para nós, do JTG, é descobrir que as suspensões também acontecem com uma certa frequência em Curitiba, e que elas não são, exatamente, “coisa de maluco”.

Como nos explicou Rafael de Lima, de 27 anos, precursor da suspensão na cidade, para se enfrentar os ganchos, “é preciso estar bem física e psicologicamente”.

Na semana passada, Rafael nos recebeu na Addiction Arts, seu estúdio de tatuagem e piercing, e nos deu vários toques sobre o assunto. Um resumo desse papo é o que você encontra a seguir.

Dor ou prazer?
Ficar pendurado como uma carne no açougue dói ou não dói? Eis uma das primeiras perguntas que fizemos a Rafael, que preferiu nos responder primeiro narrando a origem dessa prática na Índia, há mais de dois mil anos. Segundo ele, a suspensão era um dos muitos exercícios utilizados pelos hindus para se buscar a elevação espiritual.

Ela só iria adquirir uma imagem negativa sob os olhares dos primeiros ocidentais que a testemunharam, e também através da igreja católica que, na idade média, quis usar a suspensão como instrumento de tortura aos hereges.

“O interessante foi quando os padres viram que, certas pessoas, depois de penduradas, começavam a dar risada. Não demonstravam dor, o que, para eles, só podia ser coisa do diabo”.

Na verdade, explica Rafael, as pessoas riam porque, com a adrenalina e outros hormônios que são liberados pelo organismo nessas situações, a dor se torna mínima. Para o espanto dos padres, quem conseguia relaxar naqueles momentos era tomado por um grande prazer.

Estar suspenso é algo indescritível, garante Rafael. “Não tem nada, nem sexo, que  possa bater essa sensação. Você se sente poderoso, o dono do mundo”. Ele revela que chega a entrar numa espécie de transe, ao ficar pendurado de cabeça para baixo, preso pelos joelhos.

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Disseminando a suspensão corporal


Se no Brasil a suspensão corporal foi introduzida no final dos anos 90, em Curitiba, a primeira suspensão aconteceu em 2002, no extinto Vitrola Bar, após um encontro de tatuadores. Nessa ocasião, Rafael também foi içado pela primeira vez, com a supervisão de seu amigo Luciano “Luc’s Tatoo”.

Desde então, Rafael não abandonou mais os ganchos – chegou a bater um recorde mundial, em 2003, permanecendo suspenso por 45 minutos, a 60 metros de altura – e tratou de disseminar essa cultura pela cidade. Com a sua própria equipe de suspensão (formada por Diogo, Marcelo, Ortiz e Helton), ele se apresenta em festas e realiza sessões para pessoas interessadas.

Rafael só reclama que a procura pela suspensão poderia ser um pouco maior. “Curitiba ainda é uma cidade muito mal informada. Estamos dez anos atrás de São Paulo e Rio. Em São Paulo, rolam suspensões todo dia. Aqui eu faço uma ou duas por mês”.

Ao todo, Rafael calcula que cerca de trinta pessoas em Curitiba já tenham tido a experiência. Desse clube seleto, grande parte é vegan (gente que não se alimenta e nem usa produtos de origem animal) ou straight edge (punks que não usam drogas e são vegetarianos). “É um público esclarecido, informado sobre o assunto. São pessoas que cuidam do corpo e que buscam uma auto-superação”.

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Ganchos não são para amadores

Foto: Franco Caldas Fuchs

Para quem está a fim de começar a fazer suspensão, o conselho principal dado por Rafael de Lima é procurar um profissional experiente na área. Se todos os procedimentos de segurança forem seguidos, “o risco de doer muito ou de acontecer algum acidente é praticamente zero”.

Entretanto, se a suspensão for mal planejada ou se não forem tomadas certas precauções, as conseqüências podem ser funestas. Por exemplo: a pele pode rasgar, se a sua perfuração para a passagem do gancho for feita com uma agulha de calibre inadequado. Já o gancho pode se abrir, se não for acionada uma trava de segurança nele. E se, após a suspensão, não for feita uma massagem para a retirada do ar que entra na pele, a pessoa pode ter uma infecção séria e até morrer.

“Por isso é bom pesquisar sobre o profissional que vai fazer a suspensão em você. Se já deu alguma coisa errada com ele, é melhor nem arriscar”, alerta Rafael.

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Outras dicas e informações


Foto: Addiction Arts

Para evitar dores e outras complicações durante a suspensão, o corpo precisa estar saudável. Dê um tempo na junk food, corte a birita, cigarrinho e afins, semanas antes de se suspender.

A rigor, não existe um limite de idade para praticar a suspensão. Mas ela não é indicada para diabéticos, cardíacos, hipertensos e pessoas com pressão baixa.

Calma e autocontrole são atributos essenciais para quem deseja ser suspenso. Se você não conseguir relaxar, suportando um pouco de dor e eventuais sangramentos, a experiência pode ser bem desconfortável.

Recomenda-se dar um intervalo mínimo de dois meses entre cada suspensão. Isso feito, a cicatrização da pele é rápida e não deixa marcas.

Cerca de dez por cento das pessoas que fazem suspensão sentem muita dor, segundo Rafael de Lima. “Desses dez por cento, talvez oito sentem dor porque estão mal preparados e só dois por cento sentem porque são mais sensíveis mesmo”.

Fazer uma suspensão custa entre R$ 200 e R$ 800, pelo estúdio Addiction Arts. O preço varia conforme o grau de complexidade (posição dos ganchos no corpo, estrutura utilizada etc.) da suspensão.

especial suspensão corporal por Franco Fuchs

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